domingo, 27 de dezembro de 2009

VACA ATOLADA !


Saudações, amigos(as) da comilança sem preconceitos e sem culpa!

É comum, em alguns botequins, sobretudo da capital paulista, o serviço de almoço. Comumente muito frequentado por pessoas que trabalham pela região, e apreciadoras da boa tradição da comida de boteco e que diga-se de passagem, é tudo de bom!

Esse prato é tão famoso e apreciado, que no calendário do boteco, mereceu um dia especialmente dedicado a ele, assim como tem a feijoada. E se a memória deste colunista não estiver falhando por sua idade, digo que o dia da Vaca Atolada - nossa famosa costela com mandioca - é às quintas-feiras, impreterivelmente!

Diga-me, há como resistir à essa magnífica orgia gastronômica? Não tem como!

É tudo de bom!

Vejam a receita e deliciem-se, sem dó!

Para nossa vaca atolada, você precisará de:

INGREDIENTES:

1 ½ kg de costela de ripa (Ponta de Agulha)
1 colher de sobremesa de cominho em pó
3 folhas de louro
6 cravos inteiros
6 pimentas-do-reino inteiras
1 copo de vinho seco
1 colher de sobremesa de tempero pronto, ou a gosto
1 kg de mandioca picada e cozida.

PREPARO:

Corte a costela, separando cada pedaço de osso, Marine por 6 horas.

Leve para cozinhar em panela de pressão, por ½ hora, acrescentando a marina e cobrindo com água.

Depois do pré-cozimento na panela de pressão, coloque em uma panela de ferro, para completar o cozimento. Cozinhe, até ficar bem macia, sem desmanchar. Esse tempo de cozimento varia entre ½ e 1 hora.

Mexa de vez em quando, para não grudar no fundo e complete a água, sempre que necessário.
Quando a carne estiver cozida, acrescente a mandioca previamente cozida e afervente por 10 minutos. Sirva na própria panela.

Sirva com um arroz branco bem soltinho e uma saladinha de tomate.

Lógico, a harmonização perfeita dela é uma cerveja bem encorpada, indico a Serra Malte. Agora, quem gosta de um bom vinho, é aconselhável um malbec argentino ou mesmo um carmenère chileno para esse prato.

Bom apetite.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Le Gourmande


Bom dia, amigos bons de garfo! hehehehe...

Bem, dando continuidade na idéia de divulgar-se as comidas dignas de botequim, sem desmerecê-las, obviamente, mas, enaltecendo-as... afinal, quem não gosta de comer bem e de fazer uma extravagância de vez em quando???

Pois é, gente... dessa maneira, criei neste sábado, enquanto estava no hotel onde trabalho, um lanchinho, básico, digno de comilões como nós... e delicioso, tenham certeza disso! Aliás, me sentiria muito alegre se um dia viesse a saber que alguém, de algum boteco estivesse fazendo-o!!!

Bem, seu nome é "Le Gourmande", isso porque é para os comilões! Ele consiste em um lanche em três andares, de pão de forma, muito bem recheado, fechado por uma omelete gigantesca, banhado por molho béchamel e queijo gorgonzola.

Gostou??? Ficou com água na boca??? Imaginem-me então, fazendo isso na hora... mal via o momento de terminá-lo e devorá-lo... hehehehehehe.

Bem, chega de lero-lero, vamos à receita.

"Le Gourmande"
Rendimento: 1 lanche/2 pessoas


Ingredientes:
1 Filé de Frango
3 Fatias de pão de forma
2 Fatias de tomate Débora
4 Fatias de queijo mussarela
1 litro de leite
2 colheres de sopa de manteiga
2 colheres de sopa de farinha de trigo
4 ovos
1 pedaço de queijo gorgonzola
manjericão para decorar
grãos de pimenta rosa para decorar
1 tablete de caldo de galinha para temperar
1/2 copo de vinho branco seco para temperar
sal e pimenta-do-reino à gosto.

Preparo.

Corte o filé de frango em tiras finas, tempere com sal, pimenta-do-reino, tablete de caldo de galinha, o vinho branco seco. Deixe descansar por 15 minutos. Grelhe e reserve.

Leve 3 fatias de pão de forma ao forno por 3 minutos à 180ºC, retire, arrume sobre uma fatia o frango já grelhado, cubra-o com duas fatias de mussarela, na segunda fatia de pão, coloque o tomate e novamente 2 fatias de mussarela, termine com a terceira fatia de pão. Reserve.

Bata 4 ovos com um pouco de farinha de trigo (para aumentar a liga) e sal. Leve à uma grelha bem grande, extenda a omelete para que fique bem aberta. Quando estiver secando, coloque ao centro o lanche, feche sobre ele a omelete. Transfira para um prato.

Prepare o béchamel, com 2 colheres de sopa de manteiga derretida e duas colheres de sopa de farinha de trigo, mexa sempre até atingir seu ponto de viragem, quando ficar num tom caramelo claro, adicione 1 litro de leite pré-aquecido, mexa sem parar até engrossar. Tempere e reserve.

Cubra o lanche com o béchamel. Salpique o gorgonzola e leve ao forno por 5 minutos à 180ºC.

Retire e decore com manjericão e pimenta rosa.

Bonne Appétit!

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Rabada Especial da Sara


Essa rabada de agrião, estavámos na espera rsrsrs…Um dia numa bela manhã, numa conferência de Gastronomia: eu, Chef Simon Sant, Gourmet Sara Dias e Produtora Cultural e Amante da gastronomia Érica Marta conversamos um papo delicioso.

Do nada, Gourmet Sara Dias joga na roda a receita dela de Rabada com agrião…com um tempero especial…ficamos se deliciando somente com modo de preparo.

Sara Dias uma cozinheira de mão cheia, ainda na cozinha típica fera nisso….
Então chega de papo, segue abaixo a receita da Sara:


Rabada da Sara

Preciosos Ingredientes:

1 rabada, conte os gomos, cada pessoa come no máximo 4, os menores não contam pois se desfazem no cozimento, então multiplique pelo número de pessoas.

Tempero:Alho, Salsinha, Cebolinha e sal, cominho, pimenta do reino, chimichurri, colorau e pimenta dedo de moça

Vinho tinto seco para refogar

Agrião fresco com talos e folhas

Modo de preparo:
Faça primeiro o tempero, (que é melhor se for feito socado no pilão do que batido no liquidificador), misture o alho (5 dentes para cada rabada completa), salsinha e cebolinha picada e o sal a gosto.

Amasse bem tudo junto, mas sem desmanchar completamente.Lave a rabada com água e no último enxague coloque 1/2 copo de vinagre na água da lavagem.

Escorra bem e separe os pedaços dela cortando nas juntas, se estiver com muita gordura nos gomos, retire o excesso.
Tempere a rabada com aquele feito primeiro e deixe descansar por 2 horas, o tempero fica melhor se colocar a rabada em um saco plástico e colocar na geladeira.

Numa panela de pressão coloque azeite “ao seu gosto”, pimenta do reino com o cominho, colorau e se quiser um pouco de chimichurri, deixe aquecer e coloque a rabada aos poucos para Fritar.
Regue os gomos com o vinho tinto a gosto, observe que a rabada não deve ultrapassar o meio da panela de pressão, se isso acontecer, use uma segunda panela.

Depois de bem fritos, ao ponto da carne em volta aparentar já estar frita, acrescente água, mas não cubra toda a rabada.

Experimente o sal e se necessário use um caldo de costela para acertar o tempero.
Tampe e deixe cozinhar em fogo médio por aproximadamente 30 minutos, depois de pegar pressão.

Abra a panela e veja se a carne já se solta facilmente dos gomos, se não estiver assim, feche e deixe cozinhar um pouco mais. Se preciso acrescente mais água para não pegar no fundo da panela.

Depois de cozida a rabada, acrescente na panela mesmo o agrião com os talos inteiros, não precisa cortar ou desfolhar.

Mesmo que a panela tenha ficado completamente cheia, tampe e deixe na pressão por mais 5 minutos.

Depois disso é só se deliciar!Para quem gosta, uma pimenta dedo de moça inteira cortada em cubinhos bem pequenos vai muito bem se acrescentada durante a fritura.
Acompanha muito bem arroz branco e angu de fubá ou mingau de couve.

Bom Apetite!

Foto: http://www.senhorprendado.blogspot.com/
www.saboresdeminas.com.br

sábado, 3 de janeiro de 2009

Conversa de Botequim

O termo Botequim, Boteco, etc... sempre que ouvimos vem muito carregado de termos ou significados pejorativos, bem como taxa-se todos os frequentadores como "pinguços", "pé-de-cana", dentre outros.

Porém, este é um ambiente que compõe a cultura brasileira, está conosco desde que fomos colonizados, praticamente, pois, anteriormente sob a fachada das famosas "vendinhas de secos e molhados", mas, sempre com a participação da "freguesia" que dentre os assuntos corriqueiros que poderiam ir desde jogos, piadas, conversas para se jogar o tempo fora, atingiam também temas importantes da vida cotidiana e política. Na segunda fase da história de nossa república, sobretudo a partir do período do Estado Novo (período do governo VARGAS), o barzinho ou boteco esteve como ponto de encontro para a tomada de decisões de movimentos de base, como sindicatos, células revolucionárias, etc.

Também, nesse ambiente, se cultivava a cultura popular, nas composições musicais de notáveis como Chico Buarque, Tom Jobim, Tom Zé, dentre tantos célebres artistas. Mas, o que tudo isso tem haver com o blog? Todas essas conversas eram "regadas" por petiscos e comidas próprias desse ambiente. Temos nossos clássicos como o "caldinho de mocotó", "caldinho de feijão", "ovinho colorido", salgados diversos, pratos regionais, bebidas regionais, muita riqueza cultural em resumo.

Como ilustra o magnífico Noel Rosa em sua música "Conversa de Botequim", um agradável "sambinha" expoente de nossa cultura, o qual tomei a liberdade de transcrevê-lo abaixo.

Conversa de botequim

Composição: Noel Rosa / Vadico

Seu garçom faça o favor de me trazer depressa
Uma boa média que não seja requentada
Um pão bem quente com manteiga à beça
Um guardanapo e um copo d'água bem gelada
Feche a porta da direita com muito cuidado
Que eu não estou disposto a ficar exposto ao sol
Vá perguntar ao seu freguês do lado
Qual foi o resultado do fute..bol

Se você ficar limpando a mesa
Não me levanto nem pago a despesa
Vá pedir ao seu patrão
Uma caneta, um tinteiro,
Um envelope e um cartão,
Não se esqueça de me dar palitos
E um cigarro pra espantar mosquitos
Vá dizer ao charuteiro
Que me empreste umas revistas,
Um isqueiro e um cinzeiro

Seu garçom faça o favor de me trazer depressa
Uma boa média que não seja requentada
Um pão bem quente com manteiga à beça
Um guardanapo e um copo d'água bem gelada
Feche a porta da direita com muito cuidado
Que eu não estou disposto a ficar exposto ao sol
Vá perguntar ao seu freguês do lado
Qual foi o resultado do fute..bol

Telefone ao menos uma vez
Para três quatro quatro três três três
E ordene ao seu Osório
Que me mande um guarda-chuva
Aqui pro nosso escritório
Seu garçom me empresta algum dinheiro
Que eu deixei o meu com o bicheiro,
Vá dizer ao seu gerente
Que pendure esta despesa
No cabide ali em frente
Seu garçom faça o favor de me trazer depressa
Uma boa média que não seja requentada
Um pão bem quente com manteiga à beça
Um guardanapo e um copo d'água bem gelada
Feche a porta da direita com muito cuidado
Que eu não estou disposto a ficar exposto ao sol
Vá perguntar ao seu freguês do lado
Qual foi o resultado do fute..bol


Saborosas saudações a todos!